Nos passos do menino veneno

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Em 2002, depois de ter passado quase dois anos morando no Brasil e estudando a MPB, voltei para os EUA por um ano onde gravei meu primeiro álbum Sonho. Naquela época, meu trabalho foi divulgado na mídia brasileira nos EUA. O primeiro repórter que se interessou na minha história logo percebeu a semelhança entre minha trajetória e a do cantor Ritchie, o britânico que fez sucesso nos anos 80 com a canção “Menina veneno”. O Ritchie se entrosou no cenário musical brasileiro no género pop enquanto eu sou emepebista de coração e alma. Leia o artigo “Nos passos do menino veneno” (abaixo). Também ouça meu álbum Sonho no YouTube clicando no vídeo abaixo, e compartilhe com seus amigos.

Nos passos do menino veneno
Por Marco Fonseca

Quase trinta anos após o sucesso do britânico Ritchie, o norte-americano Michael Anthony aposta no mercado fonográfico brasileiro. O novo CD Sonho revela o talento e a ousadia do artista, que grava em português e faz arranjos para músicas de Jobim.

Newark (NJ, EUA, novembro de 2002) – O inglês Richie estava estudando literatura na Universidade de Oxford e já tocava música quando em 1972, foi apresentado a uns artistas brasileiros como Rita Lee e Liminha. Fascinado com o som dos “Mutantes” resolveu tentar a sorte no Brasil, dando aulas de inglês e participando de bandas e shows. Foi um grande sucesso dos anos 80, influenciando toda geração de compositores e músicos, principalmente estrangeiros que se encantam com a música brasileira.

Mais de 30 anos depois da aventura de Ritchie, outro cantor, o norte-americano Michael Anthony Lahue vai desembarcar no país em busca de sucesso. Nascido em New Jersey (NJ), Michael Anthony é pianista, cantor e cancionista que também se apaixonou pela música brasileira em suas andanças pelo mundo. Durante o Festival de Jazz em Montreux, Suíça em 1996, Michael conheceu a “Festa na Bahia” com Armandinho, Dodô e Osmar, Simone Moreno e Pepeu Gomes. Foi ali que o jovem norte-americano decidiu que a música brasileira seria sua companheira de palco e de alma.

Influenciado pelo “calor humano” verde e amarelo, o compositor fala do Brasil como um “paraíso do coração e um triunfo do amor”, como se já estivesse influenciado pelo romantismo lusitano que corre em nossas veias. E fala em um português quase sem sotaque.

Ao contrário de Ritchie que chegou e logo foi se entrosando no meio artístico da noite paulistana, Michael pensa além do palco. Quer estudar música, entender melhor o idioma, discutir Jobim sentado em um boteco na esquina, batucar na caixa de fósforo, arriscar versos e serenatas. É um “brasilianista” de carteirinha, apto a discutir bossa nova, chorinho e jazz com os mais preparados estudiosos.

Michael não é um sonhador. Quer ser sucesso e despeja pragmatismo em seus planos para a carreira. Além de ter passado quase dois anos no Brasil estudando no Conservatório Carlos Gomes, em Campinas (SP), atualmente estuda português no American English Center, um curso de idiomas em Newark (NJ). Desvendando o complicado idioma, o artista busca inspiração para seu primeiro CD. O trabalho intitulado Sonho será lançado no ano que vem (2003) com composições próprias em português e alguns novos arranjos para Jobim.

Um desafio pra nenhum menino veneno botar defeito. No estúdio, onde grava o CD Sonho: “Quero fazer o mais profissional possível”. A alegria dos brasileiros contagiou Michael. “Eu adoro o calor humano de lá e isso reflete na música”. O cantor e compositor se inspira na bossa nova e na autêntica MPB para escrever as letras em português.

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